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Sabe aquela metáfora do copo com água pela metade, que você pode escolher acreditar estar meio cheio ou meio vazio? Ela é usada para distinguir otimistas de pessimistas.
Atualmente, é fácil observar estes dois tipos entre gays quando o assunto é homofobia e os direitos civis. Claro que nenhum maniqueísmo pode descrever com exatidão o sentimento de não ser heterossexual numa sociedade ditadora e muitas vezes contraditória e sempre confusa. Provavelmente ninguém é o tempo todo só otimista ou só pessimista. Na verdade, são duas faces de uma mesma realidade. Se hoje o gay pode viver com liberdade, ele ainda se sente cercado de impedimentos legais e/ou preconceitos.
Talvez a metáfora sobre otimistas e pessimistas sirva para compreender como interiorizamos e vivenciamos o mundo que vemos a nossa volta.
O caso Doritos talvez desperte em alguns um gostinho amargo de imutabilidade, uma vez que apela para o eterno deboche ultrajante da condição homossexual, o mesmo que vemos em programas toscos de tv e até na agora em moda stand-up comedy.
Mas talvez o mesmo episódio desperte em outros um sabor mais palatável, não que vá engolir esse engodo travestido de publicidade, mas pode ser alerta de que empresas (que são feitas de pessoas) como essa não passam de fabricantes de porcarias dispensáveis, que empurram sua filosofia de consumo goela abaixo dos incautos e em nada contribuem para a sociedade.
Pode ser que seja um sinal, um sintoma, pode ser que ao lado da indignação e da ânsia por mudanças, alguns gays se percebam diferente disso tudo e, aí sim, uma vez conscientes de quem são, materializem isso em suas vidas. Afinal, o mundo é um espelho.
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